Por que esse assunto tem política pública própria
Em 2009 o Ministério da Saúde criou a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, justamente porque a diferença de procura entre homens e mulheres é grande o suficiente para aparecer nas estatísticas de mortalidade.
As razões são conhecidas: a ideia de que procurar médico é sinal de fraqueza, o horário de trabalho que não sobra, o receio do exame de próstata e a percepção de que sem sintoma não há motivo. O resultado prático é diagnóstico mais tardio em doenças que respondem bem quando descobertas cedo.
A base, que vale para qualquer idade
Antes de qualquer exame específico, o acompanhamento começa pelo básico, e é aqui que mora a maior parte do ganho:
- Pressão arterial
- Glicemia, para rastrear diabetes e pré-diabetes
- Perfil lipídico, o colesterol e as frações
- Peso e circunferência abdominal
- Avaliação do uso de álcool e tabaco
- Saúde mental, incluindo sono, humor e estresse
Doença cardiovascular mata mais homens do que qualquer câncer. Ainda assim, é a próstata que domina a conversa.
Próstata: a decisão é compartilhada
Também aqui existem duas orientações no Brasil, e vale conhecer as duas.
- Sociedade Brasileira de Urologia: a partir dos 50 anos, o homem deve conversar com o médico sobre rastreamento. Aos 45 anos para homens negros ou com pai ou irmão que tiveram câncer de próstata
- Ministério da Saúde e INCA: não recomendam rastreamento populacional, por entenderem que os danos do rastreamento em massa podem superar os benefícios
Não é contradição sem sentido: uma orientação fala de política de saúde para milhões de pessoas, a outra fala do indivíduo diante do médico. Por isso o termo correto é decisão compartilhada: o médico explica benefícios e riscos, e a decisão sai da conversa.
A avaliação combina o PSA, exame de sangue, com o exame clínico. Um não substitui o outro, porque parte dos tumores ocorre com PSA normal.
Sintomas urinários não são sinônimo de câncer
Jato fraco, demora para começar a urinar, sensação de bexiga que não esvaziou e acordar várias vezes à noite para urinar são queixas frequentes depois dos 50 anos. Na maioria das vezes, a causa é hiperplasia prostática benigna, que é o aumento não canceroso da próstata.
Isso não significa ignorar. Significa procurar o urologista para investigar, tratar o desconforto e descartar o que precisa ser descartado.
O que os mais jovens não deveriam pular
Câncer de testículo é o tumor mais comum em homens entre 15 e 35 anos, e tem altíssima chance de cura quando descoberto cedo. O sinal mais comum é um nódulo endurecido e indolor no testículo, ou uma mudança de tamanho e consistência. Ausência de dor não é sinal de que está tudo bem.
Também entram no radar dos mais jovens: saúde sexual e prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, vacinação em dia, saúde mental e uso de álcool.
Depois dos 45, mais um item na lista
O rastreamento de câncer colorretal costuma começar entre 45 e 50 anos para pessoas sem fator de risco adicional, e mais cedo quando há histórico familiar ou doença inflamatória intestinal. Os métodos incluem pesquisa de sangue oculto nas fezes e colonoscopia.
Sangramento nas fezes, mudança persistente do hábito intestinal e anemia sem explicação pedem investigação em qualquer idade.
Quer conversar com quem entende do assunto?
Agendar meu check-up- Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, Ministério da Saúde
- Recomendações da Sociedade Brasileira de Urologia
- Posicionamento do INCA sobre rastreamento do câncer de próstata
Perguntas frequentes
A partir de que idade devo começar a me preocupar com a próstata?
A Sociedade Brasileira de Urologia orienta conversar com o médico a partir dos 50 anos, ou dos 45 para homens negros ou com pai ou irmão que tiveram câncer de próstata. A decisão sobre fazer ou não o rastreamento é tomada junto com o médico.
Só o PSA não basta?
Não. O PSA pode estar normal mesmo com tumor, e pode estar alterado por causas benignas como infecção ou aumento benigno da próstata. Por isso ele é interpretado junto com o exame clínico e o histórico.
Não tenho nenhum sintoma. Preciso mesmo ir ao médico?
Sim. Pressão alta, diabetes, colesterol elevado e boa parte dos tumores iniciais não dão sintoma nenhum. O objetivo do acompanhamento é justamente encontrar antes de doer.
Com que frequência devo fazer check-up?
Não existe número único. Para adultos sem doença conhecida, uma avaliação anual costuma ser suficiente. Quem tem hipertensão, diabetes ou outro fator de risco segue o intervalo definido pelo médico.