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Saúde da mulher

Exames da mulher: quais fazer e a partir de que idade

Rastreamento não é exame para quem está doente. É exame para quem está bem, feito no momento certo, para achar problema antes de ele dar sinal.

7 min de leitura Publicado em 23 de julho de 2026

Médica conversando com paciente durante consulta em consultório

Preventivo, o exame citopatológico

Conhecido como Papanicolau, o exame coleta células do colo do útero para procurar alterações que podem, ao longo de anos, evoluir para câncer. É um dos rastreamentos mais bem-sucedidos da medicina, justamente por pegar a lesão numa fase em que ela ainda é tratável com facilidade.

A recomendação do Ministério da Saúde e do INCA é para mulheres de 25 a 64 anos que já tiveram atividade sexual. Faz-se um exame por ano e, se dois exames seguidos vierem normais, o intervalo passa para três anos.

Situações particulares, como imunossupressão ou histórico de alteração prévia, mudam esse intervalo. Quem define é o ginecologista.

Mamografia: por que as recomendações divergem

Aqui vale explicar o que acontece de verdade, em vez de dar um número único.

No Brasil convivem duas orientações:

  • Ministério da Saúde e INCA: mamografia de rastreamento a cada dois anos, dos 50 aos 69 anos
  • Sociedade Brasileira de Mastologia, Colégio Brasileiro de Radiologia e FEBRASGO: mamografia anual a partir dos 40 anos

A divergência existe porque cada lado pesa de forma diferente os benefícios e os danos do rastreamento em massa, como resultados falso-positivos e exames adicionais. Além disso, a Lei 11.664/2008 assegura o acesso à mamografia a partir dos 40 anos no sistema público.

Na prática: converse com seu médico. Histórico familiar, densidade mamária e fatores de risco individuais pesam mais do que qualquer regra geral.

O que fazer entre um exame e outro

O autoexame das mamas, feito como ritual mensal e técnica fixa, deixou de ser recomendado como estratégia isolada de rastreamento. O que se recomenda hoje é o conhecimento do próprio corpo: perceber o que é normal para você e procurar avaliação diante de mudança.

Procure o médico se notar:

  • Nódulo endurecido que não some após o ciclo
  • Retração ou afundamento da pele ou do mamilo
  • Pele com aspecto de casca de laranja
  • Saída de secreção pelo mamilo, principalmente com sangue e em uma mama só
  • Vermelhidão ou ferida que não cicatriza
  • Caroço na axila

Outros exames que entram na rotina

Ultrassonografia pélvica e transvaginal: avalia útero e ovários, investiga sangramento anormal, dor pélvica, miomas e cistos.

Densitometria óssea: mede a massa óssea e diagnostica osteopenia e osteoporose. Costuma ser indicada a partir dos 65 anos, ou antes disso na presença de fatores de risco como menopausa precoce, fratura por trauma leve, uso prolongado de corticoide e histórico familiar.

Exames de sangue de rotina: hemograma, glicemia, perfil lipídico, função da tireoide e ferro. Anemia por deficiência de ferro é frequente em mulheres em idade reprodutiva.

O exame que costuma ficar de fora

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre mulheres no Brasil, à frente dos cânceres. Ainda assim, a avaliação do coração raramente é a primeira preocupação numa consulta de rotina feminina.

Há um agravante: os sintomas de infarto na mulher costumam ser menos típicos. Em vez da dor clássica no peito, podem aparecer cansaço extremo, falta de ar, náusea, mal-estar no estômago, dor nas costas ou na mandíbula. Esse quadro é confundido com estresse, gastrite ou ansiedade com mais frequência do que deveria.

Medir pressão, glicemia e colesterol faz parte do cuidado com a saúde da mulher tanto quanto o preventivo.

Cada fase pede um olhar diferente

Adolescência e início da vida adulta: orientação sobre contracepção, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e vacinação contra o HPV.

Idade reprodutiva: planejamento familiar, pré-natal, investigação de sangramentos e dor pélvica.

Climatério e menopausa: avaliação de sintomas, saúde óssea, saúde cardiovascular e sono.

Depois dos 60: manutenção do rastreamento, prevenção de quedas, saúde óssea e revisão de medicamentos.

Este texto é informativo e não substitui consulta. Ele não serve para autodiagnóstico nem para iniciar ou suspender tratamento por conta própria. Diante de qualquer sintoma, procure avaliação médica. Em emergência, ligue para o 192.

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Referências consultadas
  • Diretrizes para a Detecção Precoce do Câncer de Mama no Brasil, INCA
  • Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, INCA
  • Recomendações da FEBRASGO e da Sociedade Brasileira de Mastologia
  • Lei 11.664/2008

Perguntas frequentes

Preciso fazer preventivo se nunca tive relação sexual?

A recomendação de rastreamento é dirigida a mulheres que já tiveram atividade sexual. Ainda assim, a consulta ginecológica continua valendo por outros motivos. Quem define a conduta é o ginecologista.

Já entrei na menopausa. Ainda preciso do preventivo?

Sim. A recomendação vai até os 64 anos, desde que os exames anteriores estejam em dia e normais. A menopausa não encerra o rastreamento.

A mamografia dói?

Incomoda por alguns segundos, porque a mama precisa ser comprimida para a imagem sair nítida. O desconforto é breve. Marcar para a semana seguinte à menstruação costuma ajudar, já que as mamas ficam menos sensíveis.

Tenho caso de câncer de mama na família. Muda alguma coisa?

Muda. Histórico familiar em parente de primeiro grau costuma antecipar o início do rastreamento e pode indicar exames complementares. Leve essa informação para a consulta.

Posso fazer o preventivo menstruada?

O ideal é evitar, porque o sangue atrapalha a leitura da amostra. Prefira agendar fora do período menstrual.

Ficou com dúvida sobre o seu caso?

Cada pessoa é uma pessoa. Agende uma avaliação e converse com um médico da Provida.

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