O que é pressão alta
A pressão arterial é a força que o sangue faz contra a parede das artérias. Ela sobe e desce o dia inteiro, o que é normal. O problema é quando fica permanentemente elevada.
No consultório, considera-se hipertensão quando a pressão fica em 140 por 90 mmHg ou acima, confirmada em mais de uma medição, em dias diferentes. Um valor alto isolado, medido numa farmácia depois de uma corrida até o balcão, não fecha diagnóstico. E também não deve ser ignorado: ele é o motivo para procurar avaliação.
Os valores de referência e a conduta variam conforme idade, doenças associadas e risco cardiovascular de cada pessoa. Quem interpreta é o médico, com o quadro completo na mão.
Por que ela é chamada de silenciosa
A pressão alta não dói. Não dá tontura na maioria dos casos, não dá dor de cabeça constante, não dá sangramento no nariz como diz a crença popular. A pessoa se sente bem e conclui que está bem.
Enquanto isso, ano após ano, a pressão elevada vai endurecendo e estreitando as artérias, sobrecarregando o coração e machucando órgãos que dependem de circulação fina. O primeiro sintoma percebido costuma ser justamente o desfecho que se queria evitar.
É por isso que a recomendação é medir a pressão periodicamente mesmo se sentindo bem, e não só quando alguma coisa incomoda.
Quem tem mais risco
Alguns fatores aumentam a chance de desenvolver hipertensão:
- Histórico na família, principalmente pai, mãe ou irmãos
- Excesso de peso e circunferência abdominal aumentada
- Consumo elevado de sal, incluindo o sal escondido em embutidos, temperos prontos e ultraprocessados
- Sedentarismo
- Consumo excessivo de álcool
- Tabagismo
- Idade: a prevalência sobe bastante depois dos 60 anos
- Diabetes, doença renal e apneia do sono
- Estresse crônico e sono ruim
Ter fator de risco não significa que a pessoa vai ficar hipertensa. Significa que ela deveria medir a pressão com mais regularidade.
O que a pressão alta faz ao longo dos anos
A hipertensão não controlada é um dos principais fatores de risco para:
- AVC, tanto o isquêmico quanto o hemorrágico
- Infarto agudo do miocárdio
- Insuficiência cardíaca, pelo esforço extra que o coração faz a cada batida
- Doença renal crônica, que pode evoluir para diálise
- Retinopatia hipertensiva, com perda visual
- Aneurisma de aorta e doença arterial periférica
A boa notícia é que esse roteiro não é inevitável. Pressão controlada reduz de forma importante o risco desses desfechos, e o controle é possível na maioria dos casos.
Como medir a pressão corretamente
Medida errada gera diagnóstico errado, para mais ou para menos. Antes de medir:
- Descanse sentado por 5 minutos, em ambiente calmo
- Não tome café nem fume nos 30 minutos anteriores
- Esvazie a bexiga antes
- Não meça logo depois de atividade física
Na hora de medir:
- Sentado, costas apoiadas, pernas descruzadas, pés no chão
- Braço apoiado, na altura do coração
- Manguito do tamanho certo para a circunferência do braço, direto sobre a pele
- Sem conversar durante a medição
Aparelhos de pulso e aplicativos de celular que prometem medir pressão pela câmera não substituem um aparelho validado e calibrado.
Quando o consultório não basta
Duas situações comuns confundem o diagnóstico:
Hipertensão do avental branco: a pressão sobe no consultório por causa do próprio contexto da consulta, mas é normal no dia a dia.
Hipertensão mascarada: o contrário. A pressão é normal na consulta e alta fora dela, o que é particularmente traiçoeiro, porque a pessoa sai de lá tranquila.
Para separar uma coisa da outra, existem dois exames:
- MAPA: um aparelho registra a pressão automaticamente por 24 horas, inclusive durante o sono, enquanto você segue a rotina normal
- MRPA: você mede a pressão em casa, em horários definidos, por alguns dias, com um aparelho validado e um protocolo dado pelo médico
Os dois são realizados na Provida, com o resultado interpretado pelo cardiologista.
O que está no seu controle
Mudança de hábito não é conselho genérico: é parte do tratamento, e em casos leves pode ser suficiente. O que tem efeito comprovado sobre a pressão:
- Reduzir o sal. A recomendação da Organização Mundial da Saúde é de até 5 gramas de sal por dia, cerca de uma colher de chá rasa somando tudo, inclusive o que já vem nos alimentos industrializados
- Movimentar o corpo. Atividade física aeróbica regular, na maior parte dos dias da semana
- Perder peso, quando há excesso: cada quilo conta
- Moderar o álcool
- Parar de fumar
- Dormir bem e investigar ronco com pausas respiratórias
Quando o remédio entra na história, ele não substitui nada disso. Os dois trabalham juntos.
Quando procurar atendimento imediato
Procure pronto atendimento ou ligue para o 192 (SAMU) diante de:
- Dor ou aperto no peito, principalmente se irradia para braço, mandíbula ou costas
- Falta de ar súbita
- Fraqueza ou dormência de um lado do corpo
- Boca torta, fala embolada ou confusão mental
- Perda visual súbita
- Dor de cabeça muito intensa e diferente do habitual
Não dirija até o hospital nessas situações. Peça ajuda.
Quer conversar com quem entende do assunto?
Agendar consulta com cardiologista- Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, Sociedade Brasileira de Cardiologia
- Recomendações de consumo de sódio, Organização Mundial da Saúde
- Cadernos de Atenção Básica, Ministério da Saúde
Perguntas frequentes
Pressão 14 por 9 já é hipertensão?
140 por 90 mmHg é o limite considerado em consultório, mas um valor isolado não fecha diagnóstico. É preciso repetir a medição em dias diferentes e, muitas vezes, complementar com MAPA ou MRPA. O que esse número indica é a necessidade de avaliação.
Posso parar o remédio quando a pressão normalizar?
Não por conta própria. Na maior parte dos casos a pressão está normal justamente porque o medicamento está agindo. Qualquer ajuste ou suspensão precisa ser decidido pelo médico que acompanha o caso.
Preciso de jejum para medir a pressão?
Não. Mas evite café, cigarro e exercício nos 30 minutos anteriores, esvazie a bexiga e descanse sentado por 5 minutos antes da medição.
Quais exames o cardiologista costuma pedir?
Depende do caso. Com frequência: eletrocardiograma, ecocardiograma, exames de sangue como glicemia, colesterol, creatinina e potássio, e exame de urina. Conforme a avaliação, pode incluir teste ergométrico, Holter ou MAPA. Todos são realizados na Provida.
Hipertensão tem cura?
Na maioria dos casos, não se fala em cura, e sim em controle. Com tratamento e mudanças de hábito, a pressão fica em níveis seguros e o risco de complicação cai muito.